Eu tenho  contato com outras meninas de outras comunidade, elas sempre me procuram quando têm alguma dúvida ou quando precisam de mim”, declara Maria Eduarda Nascimento, do Quilombo de Balanço,  uma das participantes do Encontrão das Meninas Quilombolas de Mirandiba. O evento que aconteceu no sábado (26/10) reuniu garotas de 14 comunidades diferentes. A atividade contou com rodas de diálogos, varal de desenhos e discussão sobre a realidade da educação no município. 

Segundo Liz Ramos,  uma das responsáveis pelo Projeto Educação Escolar das Meninas Quilombolas em Mirandiba,  fala que a iniciativa atua na perspectiva do fortalecimento da educação quilombola. “É um trabalho  de envolvimento da comunidade no debate do direito à educação – sobre o direito a uma educação específica quilombola, a mobilização comunitária é parte da estratégia”; afirma.

Meninas de comunidades quilombolas participam de roda de conversa

Segundo Maria Eduarda, estudante de pedagogia  e participante do projeto, esses encontros têm dado frutos entre as meninas. Elas se sentiram bem e conheceram outras meninas de outras comunidades, fizeram muitas amizades”; diz a estudante. Além disso,  ela tem sentido vontade de participar da iniciativa.  

Entre os assuntos discutidos no encontro,  um dos problemas graves para dificultar o acesso a educação é o transporte. “A questão do transporte deixa as menina mais vulneráveis em uma série de coisas”; reflete Liz. Segundo a educadora, por falta de transporte, muitas vezes as meninas das comunidades tem que andar em estradas inseguras, passam  muito tempo sem alimentação adequada devido ao horário que acordam e muitas vezes não têm transporte para ir a escola.  

Eduarda,  apesar de não estar mas na escola, sente o problema na pele, já que ainda têm dificuldade de ir para faculdade. Mas tem sentido que os encontros com as outras meninas têm lhe dado esperança. “Elas disseram que não vão perder mais nenhum encontro, pois estava todo mundo reunido e à vontade por estar contando a sua própria história”.