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Ocupe Campo-Cidade volta a trazer cultura e política à região do Cais José Estelita

Lutas pela reforma urbana e rural estarão na pauta (arte: Raoni Assis)

Lutas pela reforma urbana e rural estarão na pauta (arte: Raoni Assis)

Neste domingo (12/04), o Cais José Estelita vai se encher de vida novamente. O Ocupe Campo-Cidade, organizado por diversos movimentos sociais e coletivos, irá levar ao lugar oficinas, feira agroecológica, atrações culturais, cinedebate e aulas públicas para discutir as afinidades entre as pautas e demandas de quem luta por direitos nas zonas urbana e rural. O evento irá acontecer na mesma área onde os antigos Ocupe Estelita aconteceram, à frente dos galpões ameaçados pelos prédios do projeto Novo Recife, a partir das 13h, se estendendo até a noite.

Com o mote “Se o campo não resiste, a cidade não ocupa”, o Movimento Ocupe Estelita (MOE), juntamente com o Centro Sabiá, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Núcleo de Agroecologia e Campesinato (NAC/UFRPE), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Pastoral da Juventude Rural (PJR), Rede Coque Vive, Fopecom e Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal (SINTRACI), programou uma tarde com atividades que visam a aproximar as vivências das lutas urbanas com as lutas campesinas para que ambas se fortaleçam percebendo suas similaridades e particularidades.

Dentre as oficinas realizadas, haverá confecção de mamulengos, plantio e bio construção. As atrações culturais contarão com Mestre Zé Negão, Mestre Almir, Casas Populares da BR232 e Helder Vasconcelos com o Boi Marinho, além de outras intervenções artísticas. A feira agroecológica será realizada por agricultoras e agricultores de seis cidades diferentes do interior de Pernambuco, que poderão também partilhar suas experiências de resistência na agroecologia num sistema que privilegia a produção mecanizada no meio rural.

Para Fernanda Dantas, integrante do MOE, a união das pautas urbanas e rurais se faz urgente, “Nunca antes houve um ‘ocupe’ que juntasse a nossa luta na cidade com a luta no campo. Nunca, até agora, veio agricultor e agricultora dividir com a gente a luta deles. Nós sempre focamos na cidade, no centro, no histórico.  Juntar o urbano e o rural é trazer para a sociedade de forma didática o que é o nosso sistema político atual e como ele nos atinge tanto no campo quanto na cidade. É lembrar que temos no campo companheiras e companheiros em trabalho semi-escravo e aqui temos condições de trabalho sempre negadas para ambulantes, por exemplo. E no meio de toda essa luta temos um sistema que nos obriga todo dia a consumir o que ele quer, o que ele acredita dá mais dinheiro. Os agrotóxicos e os alimentos transgênicos estão na nossa mesa todos os dias”, ressalta.